Resumo da notícia
40% mais caro o voo de volta que o voo de ida, considerando a Lufthansa. No Brasil, a legislação da ANAC impede que as companhias aéreas cobrem a taxa de combustível (conhecida pela sigla YQ) separadamente do valor total da passagem em voos que partem do território brasileiro. Na prática, isso faz com que a maioria dos programas de fidelidade não cobre essa taxa em resgates de voos saindo do Brasil.
O problema é que essa proteção não vale para voos que partem de outros países, mesmo que o destino final seja o Brasil. Assim, é comum encontrar uma passagem de ida sem taxa nenhuma e uma passagem de volta com centenas ou até milhares de reais de taxa de combustível embutidos no resgate.
R$ 2.800 é o que pode te custar mais caro, se você não souber dessa taxa escondida que existe em alguns programas de emissão com milhas. É a temida TAXA DE COMBUSTÍVEL

✈️ O que é a taxa de combustível (YQ)
Antes de entender o problema, vale explicar o básico. A taxa de combustível, também chamada de YQ ou YR, é um valor cobrado por algumas companhias aéreas para compensar o custo do querosene de aviação. Diferente da tarifa aérea, que pode ser abatida integralmente com milhas, essa taxa costuma continuar sendo cobrada em dinheiro mesmo em resgates feitos com pontos, justamente por não ser considerada parte da tarifa em si.
Veja aqui um exemplo, uma passagem emitida em dinheiro, a própria Lufthansa destaca a taxa de combustível (YQ+YR) em um voo em Classe Executiva de Munique para Frankfurt.

🔍 Exemplo prático
Agora, pensando em emissãoo na Lufthansa, com milhas Miles and More, que abordamos recentemente podendo ser compradas por R$70,89 o milheiro, com há uma diferença clara nas taxas cobrando para voos saindo do Brasil e voos Saindo da Europa.
Ida: Brasil para Alemanha
Pegsando um voo operando pela Lufthansa, que de São Paulo para Munique, em 5 de agosto em Classe Executiva. Esta emissão custará 78 mil milhas x R$ 70,89 = R$ 5.529 + 12,70USD x R$ 5,10 = R$ 65 totalizando R$ 5.593 pelo trecho.

Volta: Alemanha para o Brasil, quase um 7×1
Veja agora, um voo que sai da Munique para São Paulo, em 7 de agosto também em Classe Executiva. Esta emissão custará 70 mil milhas x R$ 70,89 = R$ 4.962 + 561,90USD x R$ 5,10 = R$ 2.865,70 totalizando R$ 7.827 pelo trecho.

R$ 2.800 é a diferença, subtraindo as taxas da ida e da volta.
40% mais cara a volta quando comparada com a ida
📜 O que diz a legislação brasileira
A ANAC regulamentou esse tema pela primeira vez através da Resolução nº 138, de 2010, que proibia expressamente a cobrança de qualquer adicional de combustível separado do valor da passagem. Em 2016, essa resolução foi substituída pela Resolução nº 400, que manteve, em essência, a mesma lógica de proteção ao consumidor: a taxa de combustível até pode compor os custos internos da companhia aérea, mas o valor final apresentado ao passageiro precisa ser único, sem cobranças adicionais destacadas separadamente.
Ou seja, para voos que partem do Brasil, a legislação obriga as empresas a mostrarem um preço fechado, o que, na prática, leva a maioria das companhias a simplesmente não cobrar a taxa de combustível nesses trechos, já que embuti-la de forma dissimulada geraria risco jurídico. Existem, inclusive, diversas decisões judiciais no Brasil determinando a devolução em dobro de valores cobrados indevidamente como taxa de combustível em passagens emitidas com milhas partindo do país.
🌍 Por que voos chegando ao Brasil são diferentes
Aqui está o ponto central deste post. Essa proteção da ANAC vale apenas para voos que partem do Brasil. Assim, quando o trecho começa em outro país, mesmo tendo o Brasil como destino final, a legislação brasileira simplesmente não se aplica, já que a venda e a regulamentação daquele trecho seguem as regras do país de origem do voo.
Por esse motivo, é bastante comum que companhias aéreas europeias, do Oriente Médio ou de outras regiões cobrem a taxa de combustível normalmente em voos com destino ao Brasil, mesmo quando o mesmo trecho, no sentido contrário, sai sem nenhuma cobrança adicional.
⚠️ O risco de ignorar essa diferença
Esse detalhe pode gerar um prejuízo alto para quem não presta atenção. Imagine planejar uma viagem de ida e volta usando milhas: ao simular o trecho de ida, saindo do Brasil, tudo parece perfeito, com poucas taxas aeroportuárias e nenhuma cobrança extra. Só que, ao simular a volta, partindo do exterior, o mesmo programa de milhas pode exigir centenas de dólares (ou euros) só de taxa de combustível, encarecendo drasticamente o custo total da viagem.
Portanto, antes de confirmar qualquer resgate, é fundamental simular os dois sentidos da viagem separadamente, e não apenas assumir que, por não ter havido cobrança na ida, a volta seguirá o mesmo padrão.
🔗 Conectando com o post sobre Lufthansa Miles & More
Esse tema se conecta diretamente com o post que fizemos recentemente sobre a compra de milhas Lufthansa Miles & More. Isso porque, ao planejar um resgate com a Lufthansa ou com a Swiss para a Europa, é bem provável que o trecho de volta, partindo de países como Alemanha ou Suíça, venha com taxa de combustível embutida, já que essas companhias costumam aplicar essa cobrança em voos originados na Europa. Assim, antes de comprar milhas pensando em um resgate específico, vale simular os dois trechos da viagem para entender o custo real em dinheiro, além das próprias milhas.
📚 Estudar é o melhor caminho
No fim das contas, a melhor forma de evitar pagar mais é estudar antes de resgatar. Cada programa de fidelidade tem suas próprias regras sobre quais rotas cobram taxa de combustível, e essas regras também podem mudar ao longo do tempo. Por isso, sempre vale simular a emissão completa, ida e volta, antes de decidir comprar milhas ou confirmar um resgate.
E se em algum momento você ficar inseguro sobre alguma informação, seja sobre taxas, regras de um programa específico ou a melhor estratégia para o seu caso, a equipe da Milesland está aqui para ajudar.
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